Entrevista

03.02.2010

Os jovens Alfredo Avelar, Tiago Zanão e Rayssander de Freitas realizaram sua primeira profissão no dia 23 de janeiro de 2010. Motivo de alegria para a Comunidade Redentorista, que acolhe os novos frátres em nossa Província! Conheça um pouco mais sobre a vida dos três novos missionários.


 


Caminhada na Filosofia 

Tiago: O período de Filosofia foi bastante conturbado. A gente entra na faculdade, é um universo diferente. São pessoas novas, pessoas que pensam diferente da gente. É, para nós, um crescimento humano muito grande porque a Filosofia questiona. Querendo ou não, a gente vai amadurecendo o chamado que Deus faz.
Alfredo: Foi um tempo muito bom na minha vida, de grande amadurecimento. Deixei a casa paterna, a cidade natal e fui buscando novos rumos. Eu diria que foi uma ampliação primeiramente geográfica essa nova fase da minha vida em Juiz de Fora. Quanto ao curso de Filosofia em si, acho que foi essa ampliação do horizonte de conhecimento e, como o Tiago mesmo disse, um tanto quanto conturbado pelos questionamentos que nos ajudam a amadurecer. 


Noviciado

Alfredo: A experiência do noviciado foi muito interessante porque, como a Congregação Redentorista é dividida em unidades, embora estejamos dentro da Província Redentorista do Rio, tivemos o noviciado na Província de São Paulo, na cidade de Tietê. Foi um tempo de riquíssima experiência, primeiramente, cultural. Mas o noviciado é um tempo muito intenso, sobretudo de aprofundamento espiritual, com momentos de oração comunitária e pessoal ao longo do dia, além de muitos cursos para conhecermos melhor a história da Congregação, sua espiritualidade e a missão Redentorista. 


Primeiro chamado de Deus

Rayssander: Aconteceu na minha cidade, com um curso de Teologia para leigos que eu fiz, dado pelos padres Redentoristas. O que me tocou foi a visão de um Jesus humano. Uma cristologia para leigos, que me fez perceber um Jesus divino, mas que passou por dificuldades, obteve um crescimento, como nós, seres humanos, buscamos reconstruir a vida. Então, isso me tocou e me fez questionar a minha vida. Estava sempre ouvindo os padres lá de Fabriciano falarem sobre vocação, do sentido de vida e eu me perguntava sobre o que vinha a ser isso.
Alfredo: A minha vocação se deve, primeiramente, à espiritualidade e à fé simples, mas ao mesmo tempo, muito profunda, dos meus pais. Segundo, pelo bom exemplo dos dois padres com os quais eu tive contato ao longo da minha infância e adolescência: Padre Edir (já falecido) e Padre Nilson, que me deu as primeiras orientações no encaminhamento em termos de discernimento vocacional. O que mais me chamou a atenção e me fez optar pelos Redentoristas foi a espiritualidade voltada para os mais pobres e abandonados.
Tiago: A minha família sempre foi muito religiosa, o que influenciou bastante. Mas a vocação Redentorista surgiu na missão inserida que os padres da Congregação fizeram lá na cidade de Conceição do Castelo. Foi um momento em que eu pude conhecer mais de perto essa espiritualidade, o jeito de ser Redentorista. Sempre me encantava quando eu chegava nas igrejas e via os padres Redentoristas conversando com o pessoal, brincando. Isso me encantou e fez com que eu entrasse para o seminário em Juiz de Fora. 


Contribuição, percalços e alegrias da caminhada

Alfredo: Acredito que com qualquer sentido que possamos ver a vida, haverá alegrias e tristezas, momentos agradáveis e desagradáveis. E a Congregação Redentorista nos proporciona uma formação muito preocupada com o humano, não tanto com o que devemos ser, mas com o que podemos ser. Então, eu acredito no nosso potencial. A questão mais difícil é o desprender-se da família. Quando a gente inicia o processo de formação, esse horizonte se expande e é esse desconhecido que nos assusta e que até mesmo desestrutura, de certa maneira. Ao longo de todo o processo formativo, a gente tem o contato com as dúvidas.
Tiago: A formação Redentorista, principalmente na Filosofia, faz com que nós nos perguntemos a cada momento sobre o sentido da nossa vida e o sentido do chamado que Deus nos faz. Ao me perguntar sobre a minha vocação, sobre essa caminhada, pensei: “Será que é esse mesmo o meu caminho? Será que é para isso mesmo que Deus me chama?”. A dúvida faz parte do ser humano. Mas, graças a Deus, a formação Redentorista foi me dando suporte a cada momento para superar isso. Essas são as alegrias maiores, quando nós percebemos que o coração está cheio de vida para superar as dificuldades que vêm.
Rayssander: A formação trabalha muito com as perspectivas de integração, de redenção. Para mim, também foi difícil a falta da família, de uma vida social mais individualizada. Mas ao vir para o seminário, ao viver todo esse questionamento da Filosofia, acredito muito naquilo que me acontece, nas escolhas que faço. Então, a perspectiva é de redenção, de construção, de crescimento humano e espiritual. Agradeço à formação Redentorista, que nos dá todo esse aparato de um formador, de uma terapia individual. 


Sentimento

Rayssander: Passa todo um filme na minha cabeça: as aulas de Teologia na minha cidade, o chamado e tudo o que passei na Santo Afonso e na São Clemente. Eu via os companheiros chegarem à profissão e me perguntava: “Será que um dia vou chegar lá? Como estará meu coração?”. Estou bem feliz e diria que em paz. É uma alegria, não eufórica, mas tranquila, com muita esperança nessa nova etapa de continuar o crescimento humano, espiritual. Acredito que entrando para a vida religiosa, possa continuar a manter aquilo que aprendi nesses anos de formação, principalmente, a oração pessoal e comunitária, e o relacionamento com as pessoas.
Alfredo: Eu diria que estou tranquilo e certo em relação ao meu “sim”. Ao longo de toda a formação, encontrei uma resposta produtiva a respeito da vida comunitária, uma vida de doação. Ser missionário é estar em contato com o povo, especialmente, o mais carente. O sorriso do pobre ou até mesmo a nossa presença junto dele, é algo muito animador e o que mais me motiva. O apoio familiar contribui também para esse meu “sim”, que tem que ser reforçado a cada momento.
Tiago: Eu também estou muito feliz pela consagração religiosa, com o coração muito sereno porque acredito que estou dando a minha resposta a Deus, uma resposta verdadeira. Pela caminhada feita até agora, eu vejo que Deus me chama, sim, para ser Redentorista. Sinto que estou fazendo a escolha certa. Só tenho a agradecer a Deus por me dar essa vocação porque é só uma confirmação do chamado que ele tem feito a mim. 


Próximos passos

Tiago: Mudaremos para Belo Horizonte (MG), na Comunidade Vocacional Dom Muniz, e vamos estudar Teologia por três anos. Depois dos estudos, vem o Diaconato (cerca de seis meses) e após, a ordenação. 


Os novos Frátres


 


Rayssander de Freitas Pinto, 28 anos, nascido no dia 2 de janeiro de 1982,   natural de Coronel Fabriciano, MG.
“Entrei na Congregação aos 22 anos e a minha família, a princípio, não aceitou muito bem, não queria, não acreditava que pudesse dar certo e que um dia eu pudesse vir a ser um Redentorista. Mas depois do meu segundo ano de seminário, já na São Clemente, minha mãe e minhas irmãs passaram a apoiar e aceitar mais, viram que estava ficando cada vez mais sério. Já são sete anos de caminhada da minha formação. Viram que não foi um fogo de palha, como eles até brincavam no início, na época do meu acompanhamento vocacional”.


 


Alfredo Viana Velar, 23 anos, nascido no dia 11 de   agosto de 1986, natural de Santo Antônio do Amparo, MG.
“Desde os 19 anos estou nesse processo de discernimento vocacional, mas entrei para a   formação Redentorista com 20. Já fazia Filosofia em Juiz de Fora (MG), onde conheci os seminaristas Redentoristas Tiago e Bruno. Acabei iniciando um processo de acompanhamento vocacional concomitante: Redentorista e Diocese de Oliveira, e ao final desse processo de discernimento, acabei optando pela Congregação Redentorista. Meus pais, desde quando eu comuniquei que havia esse chamado, esse desejo de iniciar um processo de formação num seminário, se mostraram surpresos, mas me deram apoio, força. Então, desde o início até hoje, eu acho que devo muito a eles pela minha perseverança e por estar aqui, nas ‘portas’ de uma consagração religiosa”.


 


 


Tiago Zanão, 23 anos, nascido no dia 5 de junho de 1986,  natural de Conceição do Castelo, ES.
“Entrei no seminário quando eu tinha 16 anos para fazer o segundo ano do ensino médio na C. V. Santo Afonso, depois mais três anos na Comunidade São Clemente (Filosofia). Meus pais sempre me apoiaram muito nessa caminhada, sempre muito felizes e dando força nos momentos difíceis. Desde pequeno, eu falava que iria entrar para o seminário e virar padre. Quando conheci os missionários Redentoristas, na missão inserida que eles fizeram na minha cidade, Conceição do Castelo, senti um chamado maior para entrar no seminário”.


Autor: Luiz Henrique Freitas / Provincialado

 

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