22/06/2010
Juventude e contemporaneidade
Diante de um tema tão amplo, busca-se aqui uma reflexão sobre a cultura atual e sua relação com a constituição do sujeito que se chama jovem. É notável que o cenário do mundo globalizado provoca a espécie humana de diversas formas. Elemento bastante instigante talvez seja o seguinte: qual a chance de alguém, hoje, inscrever-se num lugar social, tendo emprego, alcançando um objetivo, possuindo uma utopia, um sonho? De outro modo, a cultura, em suas configurações presentes, possui um espaço social capaz de receber as novas gerações com tudo aquilo que elas precisam para uma vida saudável?
Primeiramente, vive-se numa época onde o capital é o mais importante e tudo o que conta é o lucro. Com isso, elementos como solidariedade e bem comum encontram-se cada vez mais em baixa. Grandes massas afogam-se nas desmesuradas formas de competitividade. Em 2007, uma pesquisa constatava que 50 milhões de jovens encontravam-se fora do mercado de trabalho na América do Sul. Outro ponto comprometedor trata-se das reconfigurações do tecido familiar. O colo onde os filhos são gerados também passa por remodelações. Ou seja, a família educadora das novas gerações encontra-se em busca de outros caminhos. Para além de reconhecer as perdas ou ganhos da passagem de um modelo antigo (pai-esposa-filhos) para as atuais formas de família, uma questão importante (fácil de ser constatada) é a carência de cuidado na base da vida. ‘Quem olha por mim?’ Eis um drama gerador daquilo que alguns pensadores chamam de uma adolescência prolongada, que carrega o peso da incerteza por um lugar social e da carência do cuidado dos adultos.
Como reflexo de tais inquietações, cresce nos meios juvenis elementos como violência, rivalidades, uso excessivo de drogas, irresponsabilidades no trânsito e etc. Alguns, mais apressados, dizem: falta lei! Mas o melhor seria fazer uma honesta pergunta: o que estaria em questão nesse culto gratuito da violência? Segundo Joel Birman, psicanalista, “pela manifestação da violência, o jovem realiza uma cena de exibição de força, pela qual realizaria uma afirmação de si e buscaria ao mesmo tempo o respeito da parte dos outros”
[1]. Soma-se a isso a grande busca pelas formas cada vez mais trabalhadas do corpo, com uma variedade de tatuagens, enfeites... Seria precipitação dizer que o valor estético é o objetivo primeiro. Isso porque a busca por um corpo ‘sarado’ parece mais revelar o desejo de um olhar dos outros sobre si, o que mostra alguma inconsistência básica a respeito do próprio ser. Músculos e tatuagens seriam simulacros de outro desejo: ‘vejam, eu existo’.
Como ler tudo isso sem tropeçar em interpretações superficiais? A questão parece incidir-se no próprio período chamado juventude, rompido em sua cronologia. As crianças, cada vez mais atarefadas, não encontram tempo certo para o amadurecimento e a adolescência, cada vez mais alongada, também não consegue constituir um sujeito com lugar social ou simbólico. Se antes a familiar nuclear cuidava de seus filhos já preparando um espaço para os mesmos, hoje tal cenário muda-se porque, já que os adultos não lhes dão segurança suficiente, e por isso não são referenciais claros, eles padecem por um excesso de energia sem destino.
Enfim, a precariedade dos cuidados básicos com crianças e adolescentes, exemplificadas pela falta daquele olhar primeiro de quem cuida e da dúvida pelo lugar social, provocam inquietações misteriosas na constituição corporal e social dos novos sujeitos contemporâneos. E, no fundo, o que está em jogo é a pergunta fundamental pelo sentido do próprio ser.
[1] CARDOSO, Marta Rezende; MARTY, François. Destinos da adolescência. 7 letras: Rio de Janeiro, 2008. Nesta obra encontra-se um artigo de Joel Birman intitulado “Adolescência sem fim? Peripécias do sujeito num mundo pós-edipiano”.
Autor: Pe. Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R.
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Comentários
Estamos todos muito felizes com a notícia:
novo secretário da Congregação dos Religiosos é um Redentorista.
Papa Bento XVI nomeou ontem, o religioso redentorista Joseph William Tobin, 58 anos, norte-americano, secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, informou o Vaticano, 02-08-2010.
Em 1991 ele foi eleito conselheiro geral dos Redentoristas e, em 1997, superior geral, até 2003.
fonte :http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34941
03/08/2010 - Por: J. Ricardo Oliveira ( Paróquia de Sto. Afonso/ RJ)
Que bom visitar este site e contemplar no mesmo mais um texto para a nossa reflexão! Parabéns!
11/07/2010 - Por: Rony Henrique - Cruz das Almas/BA
Mudou-se os velhos habitos antigos das conversas nas alpendres, varandas, onde uma boa prosa com os amigos e familias nos fins de tarde que era os passatempo ou dialogos de troca de esperiencia. Hoje com a globalizaçao e crescente tecnologia e o tal modismo é que esta fazendo a diferença na nossa juventude,. Buscam todos os dias novidades das internetes. Bate Papo e mais comodo do que uma roda de prosa. Almoço e jantar em familia ja nao existe mais. Mas Creio que nós educadores e formadores de opinião estamos fazendo a nossa parte. Artigo como esse do bom amigo Padre Vicente tinha que ser divulgado em todos os meios de comunicação e não ficar restrito as vezes para nós que ja somos " ïgrejeiros". Enquanto divulgam somente as manchetes ruins do nosso Pais por que nao divulgar artigos educativos para talvez assim mudar o carater do nosso povo.
09/07/2010 - Por: Wailson Lima Madeira
Nós educadores temos a missão de conscientizar nossos educandos do valor de nossas famílias, para que nela o jovem encontre seu modelo e seu reduto, que a família seja a primeira instituição a educar os nossos jovens, através da Palavra de Deus e que as escolas formem bons e honestos cidadãos.Precisamos demonstrar através do exemplo que o verdadeiro valor esta no ser e não no ter.
25/06/2010 - Por: Elaine Rogai Delprete
Alô, Alô, Gente Amiga!
Viva, viva! salve ,salve!
Em cada mudança de época, encntramo-nos diante de tantas "encruzilhadas", tantos novos desafios. Não foi diferente, sobretudo, nos anos 60(década emblemática). Muitos achavam que a juventude estava transviada, perdida. Veio a contracultura, fomos capazes de manter a esperança de que o "sonho não acabou". Movidos pela ideologia do possível no impossível, prossigamos como semeadores de sonhos. Foi a missão de Jesus(nosso paradigma de educador). Não podemos perder de vista esta dimensão tão necessária na arte sublime, porém exigente, de acompanhar, estar presente, apontar e alargar horizontes novos para quem ocupa o papel de "posto saber de sujeito pensante", ser e estar no mundo com os outros em busca permanente de sentido para a nossa existência.
25/06/2010 - Por: pe. Ronaldo
Mas ainda há esperança. Em meio a tantos desafios no que tange a uma boa educação de nossas crianças, em especial, é importante ressaltar a importância do ensino dos valores cristãos em suas vidas. E essa função é atribuída primeira e principalmente aos pais ou responsáveis por esses indivíduos. Cabe a cada um assumir seu papel de educador, sem transferência de responsabilidades a terceiros, como, por exemplo, à escola, ou à igreja. Não querendo ser utópica, mas desejando que cada família encontre respostas a seus anseios e medos, acredito que o conhecimento da Palavra de Deus, manifestada por nós através da Bíblia sagrada, muito nos auxilia nessa árdua missão de sermos evangelizadores dos nossos próprios fillhos.
23/06/2010 - Por: Maura Lucina Rogai Lemos Victoriano