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Festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida
12/10/2008
 
 
1ª leitura (Est 5,1b-2;7,2b-3): Este trecho da Sagrada Escritura nos apresenta a intercessão da rainha Ester pela vida do seu povo em momento de dominação estrangeira. A história da rainha Ester pode ser vista, então, como símbolo do amor que o Senhor dedica a todo povo que busca trilhar o caminho de verdade e de justiça de Deus.
 
2ª leitura (Ap 12,1.5.13a.15.16a): Encontramos no capítulo 12 do Apocalipse a alegoria da Mulher-Povo de Deus. No trecho destinado à nossa leitura neste domingo, são utilizados os versículos que sublinham a grandeza e a realeza desta Mulher, como também a solidariedade da “terra” com sua luta. A interpretação deste texto ao longo dos anos fez coincidir, não sem mais, esta alegoria com Maria, a Mãe do Senhor. Assim também a comunidade é chamada a comunicar a salvação à humanidade, fruto do Espírito do Ressuscitado que nela age.
 
Evangelho (Jo 2,1-11): Este texto das bodas de Caná está escolhido em função da idéia da intercessão de Maria no milagre do vinho. Contudo, seu centro, antes de ser mariológico, é profundamente cristológico. No esquema do Evangelho de João, marca o início dos sinais que Jesus, a Palavra de Deus feita carne, irá fazer junto aos homens, antes que se realize a sua “hora”. A abundância de vinho é sinal do cumprimento dos tempos messiânicos (Am 9,13-14), levado a termo na “hora” da crucificação/glorificação.
 
Breve reflexão: O povo brasileiro sempre dedicou um carinho muito grande a Maria. Na figura da “Mãe negra de Aparecida”, da cor do sofrimento escravo e pobre, o povo viu um sinal da presença amorosa de Deus que agiu na menina de Nazaré e continua presente junto à humanidade.
A liturgia da palavra de hoje ressalta o caráter de intercessora da Mãe de Jesus. Este evangelho foi lido, ao longo dos tempos, a partir desta chave de interpretação. Como antes dissemos, antes de ser um discurso mariológico joanino, trata-se de uma profunda referência cristológica, assim, o início dos sinais da grande obra do Messias que será consumada na “hora” da crucificação/glorificação do Filho. No evangelho de João, a Mãe de Jesus surge apenas duas vezes: aqui, no sinal de Caná - prefiguração da “hora” da consumação dos tempos messiânicos, e na “hora” definitiva da cruz.
Então, a partir da figura intercessora da Mãe de Jesus, que a leitura tradicional nos ensinou a ver neste texto, vamos meditar um pouco sobre nossa oração pedindo a intercessão mariana. Entrando na profundidade dos símbolos contidos neste texto, percebemos que, no fundo destes significados, está expressa a salvação oferecida por Deus em seu Messias na cruz. Assim, ao pedir ao Filho mais vinho para festa, o pedido da Mãe está intrinsecamente ligado à salvação que figura na imagem do grande banquete de núpcias (as núpcias do Cordeiro). Assim, percebemos que o que é pedido pela Mãe ao Filho, em última análise, não é simplesmente vinho, mas a salvação da humanidade.
Compreendemos, então, que em nossa vida de oração nos perdemos em meio a uma série de pequenos pedidos e nos esquecemos do pedido central de nossa fé: que o Reino de Deus, justiça e paz, salvação para toda a humanidade, possa acontecer. Nosso pedido central a Deus não deveria ser o carro do ano ou uma promoção no emprego, isto faz parte de nossas relações e realizações humanas, muitas vezes impedidas pela injustiça do sistema. Nosso pedido deveria ser benção e força para viver a vida na justiça e na verdade, buscando cumprir a vontade de Deus para nós e nossos irmãos.
Que a Mãe de Jesus nos ensine a buscar o essencial. Que ela interceda junto ao seu Filho pela nossa salvação.
 
 
Diác. Maikel Pablo Dalbem, C.Ss.R.
Belo Horizonte, MG.
 
 
 
 
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