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JULHO: Tempo de renovar
JULHO: Tempo de renovar
O mês de julho, para muitos, é um período destinado às férias, e, portanto, tempo de desacelerar do corre-corre do dia-a-dia e perceber melhor nossa presença nesse mundo. Tempo de abrir a criatividade ao ócio, ao lazer, ao convívio consigo mesmo, com a família e com os amigos.
No atual momento, vivemos imersos no pragmatismo, no consumismo, que nos convoca a uma postura de eternos insatisfeitos, pois nunca conseguimos fazer ou ter tudo aquilo que almejamos. Se por esse lado realmente não conseguimos atingir todos os nossos objetivos, por outro, é necessário avaliarmos quantas coisas conseguimos fazer e empreender em nossas relações.
A realidade atual, através dos meios de comunicação, às vezes tendenciosos, nos faz imposições de imediatismo, de competitividade, que nos impulsiona à busca desenfreada do prazer nas suas mais diversas feições. Imersos nessa concepção, ficamos com um gosto amargo de desapontamento e nessa lógica, reclamamos do tempo.
Tempo, palavra preciosa para analisar a nossa vida. Dicotomicamente, corre rápido quando estamos alegres e parece durar uma eternidade quando estamos tristes. Tempo que frui e nos faz questionar: qual deverá ser nossa ação frente às diversas demandas?
O olhar atento para uma análise mais profunda poderá apontar aspectos em que utilizamos o tempo no nosso cotidiano e que nem sempre essas ações são valorizadas, como: para o nosso crescimento espiritual, a solidariedade para com o outro, o respeito às diferenças que os cercam.
Nesse sentido, a relação com o tempo se desmembra num espectro maior, possibilitando um convite de nos aproximarmos de valores que ultrapassam o imediato e nos sinalizam para a esperança de um mundo melhor. Tempo de aprender e colocar em prática a pedagogia de Jesus, de aproximar-se do outro, de acolher, de sentar-se à mesa, de degustar com amigos o sabor do alimento e o sabor da convivência.
Os ensinamentos de Jesus revelam, pelas suas ações, a dinâmica do tempo, em que cada um de nós, como artífices, temos a missão de construir o nosso caminho. Diante disso, a ponderação, a cautela e a confiança em Deus são essenciais para que o nosso tempo seja proveitoso, inclusive o tempo de férias.
No Ano Paulino, que iniciamos no dia 28 de junho, as palavras de São Paulo nos proclama a ver o tempo como favorável, como um tempo de salvação. Suas palavras ecoam com esse convite de penetrarmos nesse raciocínio, que contrapõe com o que o mundo nos apresenta e nos ingressa no mistério de amor.
Viver esse tempo presente na perspectiva da renovação, de ressignificar nossas atuações, é permitir um espaço para o sossego.
Tempo de desacelerar a nossa mente das preocupações, de dar uma pausa para os horários fixos, para a pressa dos compromissos, para a rotina do cotidiano e abrir para o novo, o inesperado, mesmo que seja a simples florzinha que abriu no nosso caminho. Tempo de dedicarmos aos nossos sonhos (sem o barulho intermitente do despertador) e possibilitarmos o despertar para o amor. Os Missionários Leigos Redentoristas são, de forma contundente, chamados a isso: despertar e cultivar o amor.
Tempo como mistério, como graça, como salvação; tempo de férias, tempo de saborear a vida, de compartilhar, de festejar, de descansar e principalmente, de ter a memória agradecida pelo vivido.
Jussara Bueno
MLR – Unidade São José
Belo Horizonte (MG)